“Quando levou a filha esquizofrênica ao consultório do psiquiatra Carl Jung, um dividido James Joyce se angustiava com as semelhanças entre a moça e ele mesmo. Teria ele, Joyce, autoridade para conduzir a filha ao tratamento? Não seria ele, ao contrário, quem devia se tratar? Confessou suas dúvidas a Jung. A resposta que ouviu foi devastadora: “Vocês são, de fato, muito parecidos. Só que, ali onde ela se afoga, você escreve.”
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“Ora, em literatura a questão não é acertar – mas errar. O escritor é aquele que erra – mas aquele que sabe “errar bem”, isto é, sustentar e se responsabilizar pelo próprio erro. Grandes escritores não cumprem regras e cânones; tampouco se fascinam pela habilidade e pela competência. Ao contrário, deles se desviam para, enfim, roçar em algo de si. Chegar a ser.”
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“Se o poeta é aquele que funda um mundo que não pertence a mais ninguém, na base desta fundação há, sempre, alguma dor. Todo poeta sofre de algo que, com a escrita, ele enfrenta. Não penso em uma dor física, ou em alguma dor de cotovelo romântica; mas em um incômodo vago – uma dor de existir – que, por fim, define sua relação instável, mas criativa, com o real.”
(José Castelo, sábado, 02/05, no Globo, sobre Sousândrade – trechos.)
(Se eu quero com essa citação me dizer escritor porque talvez eu seja fronteiriço à esquizofrenia buscando salvação nas palavras? porque eu confio nos meus belos erros e porque eu sofro de uma inefável dor poética da existência? Não, não sei. Provavelmente não. Detenhamo-nos nas palavras e no que elas dizem, e só.)